Nada disto, certamente, fará grande sentido

mas não consigo fugir à incomodidade do grito permanente, dorido, magoado, imenso, das gaivotas espalhadas por esta cidade fora. Lembro sempre, por comparação,as explosões violentas e agressivas dos bandos de corvos que o Inverno traz às ruas de Dresden. Isto, sei lá, porque sim, porque por vezes temos tempo de mais para pouco mais fazer do que gerir horas sem fim, vazias, rendilhadas de dores e solidão, essa que nos faz conquistar uma certa lucidez. O País, sim, ainda, sempre, claro, mas mais toda a incomodidade que a leitura pausada de mais um livro transbordante de tranquilidade serena, ( Palácio de Cristal, Peter Sloterdijk ), nos pode trazer na sua crítica e desmontagem, a partir de Dostoiewski nos Cadernos Subterrâneos, a este tempo de ” culto jubiloso e frenético de Baal “. Para lá do frenesi eufórico e constante dos media com que nos empaturramos, as ruínas de um novo apartheid, ” eliminado na África do Sul e generalizado a todo o espaço capitalista “. Há dias assim, com as fanfarras entregues aos sons saltimbancos dos Beirut, a lembrarem, aqui e ali, as gaivotas que me não deixam dormir neste Verão que não chega em véspera de São João. ( Contra a normalidade do óbvio a teimosia persistente e louvável de quem sabe a resignação rimar com morte. A morte a que digo não ).

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