Enquanto a crise por cá não vira matéria criminal, falemos antes de pré recessão

e de mais algumas miudezas. No seu estilo pomposo e gongórico, o Senhor Professor Oliveira Martins mantem o tom que dele me ficou na Faculdade, de onde, fugi, 3 anos depois. Sei lá. Lembra-me sempre um acólito grato, venerando e obrigado, sentado ao lado de um sorumbático Rui Machete, onde era fácil adivinhar o percurso político de sucesso. ( Uma vulgaridade redundante e pretenciosa merece neste País altos voos, em nome da Kultura. Não que seja o caso, pois ). Ao certo, ía-me lichando uma oral onde, quanto mais olhava para eles, mais defendia a RAF. Eu que sabia, de facto, o que era entrar em Aachen, passar em Frankfurt e atravessar para a DDR. Eu que conheci, bem, o Leste comunista. Já Álvaro de Vasconcelos era outra coisa. Simpa, conheci-o miúdo ali para os lados do Marquês, na sede do PCP-(M.L.), onde fui a um debate que pretendia discutir se as minhas t-shirt’s com o Pato Donald e a suástica eram fascistas e os punks contra-revolucionários. Tempos giros e azar o meu que namorava com uma militante desses maoístas e precisava de uma autorização revolucionária para andar comigo. Era assim, era. Vem isto a propósito da morte de um dos artífices de um embuste e encenação geniais, que deu origem ao Solidariedade do Valesa. Geremek, como outros, terá sido um bom homem mas não o homem que pretendem. Por algum motivo os elogios vêm de onde vêm e revelam um desconhecimento profundo do que se passava na dita Cortina de Ferro. Não havia revolução nem mudança sem colaboração do Poder. E com o Poder. De veludo, ou não. Como o projecto de reforma da DDR não era a anexação efectuada pelo Kohl e deixou os militantes mais ingénuos pelo caminho, hoje, profundamente descrentes e desiludidos. Pior, até me assusto quando as comparações se fazem com Mário Soares ou o lastimável Havel, que roçou o caricato trágico no apogeu de um percurso que até será digno de respeito. Digo-o eu que, sendo europeísta, não sou internacionalista e defendo uma Europa de Nações e cidadãos. Com rosto. A defesa do Tratado de Lisboa por Geremek não abona grande coisa em favor do político, dito, de excelência. Mas há mais: um espanhol ontem, um fulano do Zapatero, classificou de homofóbico quem recusa os casamentos gay. Estou confuso. Andei na rua a defender gays e digo não ao casamento. Como à adopção de crianças pelos mesmos. Afinal, sou homofóbico? Melhor só mesmo ler o Van Zeller a defender o Governo e a lamentar a sorte de Sócrates. Curioso, não é? Deve ser do meu ( mau ) feitio, velho do restelo que um tal qualquer, aí, numa caixa de comentários diz que eu digo mal de todos e outro me quer convencer que esmagar à corunhada a cabeça de uma criança é heróico, porque a criança era judia, e a libertação de um bandido desses é uma vitória contra Israel. Sinceramente, duvido. Já cansa. Mas desfazendo equívocos, mais uma vez, não sou fascista, nem liberal, nem conservador, nem neocom e muito menos, de certeza, bonzo estalinista ou pós trotskista, mais ou menos social-democrata ou outra coisa qualquer que venha do Sistema. Italiana, só a comida. E os gelados. O engenheiro foi visitar os amigos e estes são números animadores.  

3 comentários

  1. Perfeito!

    PALAVROSSAVRVS REX

  2. Achei muito interessante este post ao melhor estilo a que nos habituou o seu autor. É sempre um passar por aqui e deixar, aquele abraço
    Raul

  3. Claro que as pressas dão em asneira. Queria dizer “é sempre um prazer passar por aqui”


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