Dias sombrios. E não só por causa da chuva

  ou por causa da crise que, do Governo aos comentadores, todos embrulharam números convenientes em Propaganda e celebram a pretensa resistência de uma economia em ruínas. Entre o festival criminal e outros mais musicais, o futebol assegura a tranquilidade de um povo que, havendo sol, se mantem nas areias, à beira água plantado. A destoar, pelo menos, José Pacheco Pereira, que errado nas conclusões coloca certeiro algumas interrogações que não cabem na nossa virtualidade tuga. Factos são factos e os pessimistas como eu, para além dos bolsos vazios teimam em insistir em que aí vêm anos de chumbo. Aliás, desde Stirner, sei que a História pode ser também, e é, quase sempre um acumular de factos absurdos, caóticos, violentos, desordenados e acidentais, sendo a abstracção, mesmo a que debita Marx na sua filosofia de caserna prussiana, o início das grandes tragédias humanas. Guerras, essas, justas ou pretensamente justificadas, são momentos de profundo horror e aversão. A Geórgia, pois, a coincidir com os 40 anos do fim da Primavera de Praga, acaso eu sei,  e com ela a deriva confusa de uma Europa agonizante que só a miopia de uma certa esquerda não vê estar pronta para o renascer de velhos fantasmas e geralmente nunca serem os dias e as gentes o que ela idealiza. Proklyatye voprosy, as questões malditas que já torturavam a visão profética de Tolstoi. Ao certo, dispersos, aí estão velhos sinais. A Rússia será sempre a Rússia, Bruxelas é um amontoado de directivas e burocracias detestada pelos povos europeus, o declínio anunciado dos USA é um dado incontornável a que já nem a arrogância da pose consegue esconder a impotência evidente. África agoniza, a Itália pela mão de Berlusconi trilha um regresso a um passado que nunca o foi. Pelo meio, entre sexo, a Madonna e outras degenerescências insignificantes, que ocupam o matutar intelectual da mediocridade banal(izada), como por exemplo encontramos na edição impressa do Público, hoje, é a Latina América a festejar mais uma vitória de um populismo perigoso, agora no Paraguai com Fernando Lugo. Não parece, mas tipos como eu, que não abdicam do primado da liberdade individual num contexto de conciliação e respeito pelas exigências, necessidades e responsabilidades da Comunidade, só podem mesmo fazer uma triste figura, a de velhos do restelo e pensarem que o mundo está mesmo em vertiginosa e perigosa mutação. O pior ainda está para vir. Como a derrota anunciada no Afeganistão. Ou a certeza de o futuro, como sempre, voltar a passar pelos Balcãs. Coisas simples de apreender mas que, em caso algum, perturba o sorriso palonço do Zé Povinho perante o show mediático de Teixeira Santos ou o silêncio da Manelinha do défice. Já agora, a Polónia não existe, nunca existiu, é um acaso. Como a Ucrânia. Já Stálin e Hitler o provaram e sabiam. Avisem o Bush se faz favor. Bom fim de semana. Se for.

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